Viagem através da Literatura
Este espaço é reservado às pessoas que apreciam Literatura. Aqui você encontra poemas, crônicas,contos, análises de obras literárias,resenhas e sugestões de leitura.
Ler é uma viagem ao infinito.
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terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Os livros interessantes de 2012
Li vários livros em 2012, mas gostei apenas de três:” Uma breve história da filosofia” de Nigel Warburton. Onde ele apresenta dados interessantes sobre a vida e o pensamento de alguns dos mais instigantes pensadores como Nietzche, Sartre, Socrates , Platão e outros.
“Guia politicamente incorreto da História do Brasil” de Leonardo Narloch. Esse livro relata verdades sobre pessoas que participaram da História do Brasil e que também fizeram parte da Literatura Brasileira.
“Minhas Queridas” de Clarice Lispector. São cartas escritas por Clarice Lispector para as irmãs. Foram escritas durante o período de imensa produção literária de Clarice.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Gostar de viver
Meu amigo, vamos viver,
Vamos sorrir, vamos gritar,
Vamos dizer que a vida é boa,
Meu amigo, vamos amar.
Vamos fazer uma canção
ou qualquer coisa do gênero.
Entrar em sintonia com o universo.
Admirar a natureza.
Meu amigo, vamos conversar,
Saborear um bom vinho,
Vamos rir de algumas anedotas,
E depois de tudo, sofrer,
Porque a vida é assim.
Orany Vieira
quarta-feira, 6 de abril de 2011
A vida é um sonho
Moro num apartamento, no décimo andar
Do alto da minha janela observo as pessoas
Penso no trabalho, nos amigos, na vida
Poderia eu mudar o trajeto dessa estrada?
Lá embaixo os seres humanos caminham
Estão à procura de alguma coisa
Não sei o que sentem, nem o que desejam
Talvez nem eles mesmos saibam
Pensam nas suas atividades diárias
Aqui em cima me sinto um ser supremo
Porque tenho a possibilidade de transcender
E tentar imaginar o que cada uma deseja
Todos estão envoltos em seus dilemas
Dormindo acordados todos os dias
Maquinando coisas, desejando, amando
Só não percebem que a vida é um sonho
segunda-feira, 21 de março de 2011
Um verso diferente
Orany Vieira
Desejo encontrar um verso
Que possa expressar o que sinto
Um verso dinâmico, mas sensível
E quando alguém fosse lê-lo
Enlouquecesse e divagasse
Que transmitisse pureza
Que aflorasse os desejos
Esse verso teria que ter beleza
Harmonia para enfeitiçar
Deixar os poros abertos
Os sentimentos aflorados
Se tudo isso estivesse num verso
Eu me sentiria feliz.
Orany Vieira
Desejo encontrar um verso
Que possa expressar o que sinto
Um verso dinâmico, mas sensível
E quando alguém fosse lê-lo
Enlouquecesse e divagasse
Que transmitisse pureza
Que aflorasse os desejos
Esse verso teria que ter beleza
Harmonia para enfeitiçar
Deixar os poros abertos
Os sentimentos aflorados
Se tudo isso estivesse num verso
Eu me sentiria feliz.
Orany Vieira
domingo, 20 de março de 2011
sábado, 19 de março de 2011
A escritora Lya Luft nos presenteia com um de seus textos.
Um pouco de silêncio
Nesta trepidante cultura nossa, da agitação e do barulho, gostar de sossego é uma excentricidade.
Sob a pressão do ter de parecer, ter de participar, ter de adquirir, ter de qualquer coisa, assumimos uma infinidade de obrigações, muitas desnecessárias, outras impossíveis.
Não há perdão nem anistia para os que ficam de fora da ciranda: os que não se submetem, mas questionam, os que pagam o preço de sua relativa autonomia, os que não se deixam escravizar, pelo menos sem alguma resistência.
O normal é ser atualizado, produtivo e bem informado.
É indispensável circular, estar enturmado. Quem não corre com a manada praticamente nem existe, se não se cuidar botam numa jaula: um animal estranho.
Acuados pelo relógio, pelos compromissos, pela opinião alheia, disparamos sem rumo – ou em trilhas determinadas – feito hâmsteres que se alimentam da sua própria agitação.
Ficar sossegado é perigoso: pode parecer doença.
Recolher-se em casa ou dentro de si mesmo, ameaça quem leva um susto cada vez que examina sua alma.
Estar sozinho é considerado humilhante, sinal de que não se arrumou ninguém – como se amizade ou amor se “arrumasse” em loja. Com relação a homem pode até ser libertário: enfim só, ninguém pendurado nele controlando, cobrando, chateando. Enfim, livre!
Mulher, não. Se está só, em nossa mente preconceituosa é sempre porque está abandonada: ninguém a quer.
Além do desgosto pela solidão, temos horror à quietude. Logo pensamos na depressão: quem sabe terapia e antidepressivo? Criança que não brinca ou salta nem participa de atividades frenéticas está com algum problema.
O silêncio nos assusta por retumbar no vazio dentro de nós. Quando nada se move nem faz barulho, notamos as frestas pelas quais nos espiam coisas incomodas e mal resolvidas, ou se enxerga outro ângulo de nós mesmos. Nos damos conta de que não somos apenas figurinhas atarantadas correndo entre casas, trabalho e bar, praia ou campo.
Existe em nós, geralmente nem percebido e nada valorizado, algo além desse que paga contas, transa, ganha dinheiro, e come, envelhece, e um dia (mas isso é só para os outros!) vai morrer. Quem é esse afinal sou eu? Quais seus desejos e medos, seus projetos e sonhos?
No susto que essa ideia provoca, queremos ruído, ruídos. Chegamos em casa e ligamos a televisão antes de largar a bolsa ou pasta. Não é para assistir a um programa: é pela distração.
Silêncio faz pensar, remexe águas paradas, trazendo à tona sabe Deus que desconcerto nosso. Com medo de ver quem – ou o que – somos, adia-se o defrontamento com nossa alma sem máscaras.
Mas, se agente aprende a gostar um pouco de sossego, descobre – em si e no outro – regiões nem imaginadas, questões fascinantes e não necessariamente ruins.
Nunca esqueci a experiência de quando alguém botou a mão no meu ombro de criança e disse:
- Fica quietinha, um momento só, escuta a chuva chegando.
E ela chegou: intensa e lenta, tornando tudo singularmente novo. A quietude pode ser como essa chuva: nela a gente se refaz para volta mais inteiro ao convívio, às tantas fases, às tarefas, aos amores.
Então, por favor, me deem isso: um pouco de silêncio bom para que eu escute o vento nas folhas, a chuva nas lajes, e tudo o que fala muito além das palavras de todos os textos e da música de todos os sentimentos.
(Extraído do livro: Pensar é transgredir, Lya Luft, Record, 2004)
Nesta trepidante cultura nossa, da agitação e do barulho, gostar de sossego é uma excentricidade.
Sob a pressão do ter de parecer, ter de participar, ter de adquirir, ter de qualquer coisa, assumimos uma infinidade de obrigações, muitas desnecessárias, outras impossíveis.
Não há perdão nem anistia para os que ficam de fora da ciranda: os que não se submetem, mas questionam, os que pagam o preço de sua relativa autonomia, os que não se deixam escravizar, pelo menos sem alguma resistência.
O normal é ser atualizado, produtivo e bem informado.
É indispensável circular, estar enturmado. Quem não corre com a manada praticamente nem existe, se não se cuidar botam numa jaula: um animal estranho.
Acuados pelo relógio, pelos compromissos, pela opinião alheia, disparamos sem rumo – ou em trilhas determinadas – feito hâmsteres que se alimentam da sua própria agitação.
Ficar sossegado é perigoso: pode parecer doença.
Recolher-se em casa ou dentro de si mesmo, ameaça quem leva um susto cada vez que examina sua alma.
Estar sozinho é considerado humilhante, sinal de que não se arrumou ninguém – como se amizade ou amor se “arrumasse” em loja. Com relação a homem pode até ser libertário: enfim só, ninguém pendurado nele controlando, cobrando, chateando. Enfim, livre!
Mulher, não. Se está só, em nossa mente preconceituosa é sempre porque está abandonada: ninguém a quer.
Além do desgosto pela solidão, temos horror à quietude. Logo pensamos na depressão: quem sabe terapia e antidepressivo? Criança que não brinca ou salta nem participa de atividades frenéticas está com algum problema.
O silêncio nos assusta por retumbar no vazio dentro de nós. Quando nada se move nem faz barulho, notamos as frestas pelas quais nos espiam coisas incomodas e mal resolvidas, ou se enxerga outro ângulo de nós mesmos. Nos damos conta de que não somos apenas figurinhas atarantadas correndo entre casas, trabalho e bar, praia ou campo.
Existe em nós, geralmente nem percebido e nada valorizado, algo além desse que paga contas, transa, ganha dinheiro, e come, envelhece, e um dia (mas isso é só para os outros!) vai morrer. Quem é esse afinal sou eu? Quais seus desejos e medos, seus projetos e sonhos?
No susto que essa ideia provoca, queremos ruído, ruídos. Chegamos em casa e ligamos a televisão antes de largar a bolsa ou pasta. Não é para assistir a um programa: é pela distração.
Silêncio faz pensar, remexe águas paradas, trazendo à tona sabe Deus que desconcerto nosso. Com medo de ver quem – ou o que – somos, adia-se o defrontamento com nossa alma sem máscaras.
Mas, se agente aprende a gostar um pouco de sossego, descobre – em si e no outro – regiões nem imaginadas, questões fascinantes e não necessariamente ruins.
Nunca esqueci a experiência de quando alguém botou a mão no meu ombro de criança e disse:
- Fica quietinha, um momento só, escuta a chuva chegando.
E ela chegou: intensa e lenta, tornando tudo singularmente novo. A quietude pode ser como essa chuva: nela a gente se refaz para volta mais inteiro ao convívio, às tantas fases, às tarefas, aos amores.
Então, por favor, me deem isso: um pouco de silêncio bom para que eu escute o vento nas folhas, a chuva nas lajes, e tudo o que fala muito além das palavras de todos os textos e da música de todos os sentimentos.
(Extraído do livro: Pensar é transgredir, Lya Luft, Record, 2004)
quarta-feira, 9 de março de 2011
Vida e arte
Beleza singela adquirida,
transforma os lugares por onde passa.
Enfeita e brilha, transmite sensações,
delírios porque é a vida.
Só ela renasce dia após dia
sendo flores, frutos ou pessoas,
não importa sugerem ciclos.
Tece a harmonia, constrói em espaços
lembranças que não se apagam.
Transpõe o tempo porque
a vida evolui igual a arte.
Orany Vieira
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
O que li de melhor em 2010
Em 2010 dediquei-me mais a leituras que procuram estabelecer uma intersecção entre a física, a filosofia e o romance.
O primeiro destaque é para a “Criação Imperfeita” de Marcelo Gleiser, publicado em 2010. Criação imperfeita propõe um novo “humanocentrismo” capaz de organizar a nossa posição no universo. Todo tipo de vida, em particular a vida inteligente, é um acidente raro e precioso. Gleiser nos guia pela ciência de ponta que instigou sua própria transformação de unificador a questionador. Uma fascinante busca científica que o levou a um novo entendimento do que é ser humano.
O segundo destaque é para um maravilhoso manual para a vida “A arte da felicidade”, publicado em 2000. Sua Santidade, o Dalai Lama e Howard C. Cutter. O próprio Dalai Lama nos diz nesse livro que acredita que o objetivo da nossa vida seja a busca pela felicidade. Acreditando em religião ou não, buscamos coisas boas para nós. Conhecendo a capacidade de luta de seus adversários e os tipos de armas que eles utilizam, terá mais condições de entrar na guerra. Este livro não só te prepara para questões do dia-a-dia, como também te ajuda a lidar com seus problemas.
O terceiro destaque é para “O vermelho e o Negro” escrito por Stendhal, publicado em 1831. Stendhal faz uma critica direta à sociedade francesa. A era é a pós-napoleônica. O autor escolheu para protagonista, um jovem ambicioso, inteligente, mas de classe social baixa. Julien Sorel é o herói do romance. O único caminho para um jovem talentoso e pobre era a igreja, a negra batina. Mesmo assim Julien continuou a ser um pobre no mundo dos ricos. A partir desses elementos o autor criou um dos mais significativos romances do século XIX.
O primeiro destaque é para a “Criação Imperfeita” de Marcelo Gleiser, publicado em 2010. Criação imperfeita propõe um novo “humanocentrismo” capaz de organizar a nossa posição no universo. Todo tipo de vida, em particular a vida inteligente, é um acidente raro e precioso. Gleiser nos guia pela ciência de ponta que instigou sua própria transformação de unificador a questionador. Uma fascinante busca científica que o levou a um novo entendimento do que é ser humano.
O segundo destaque é para um maravilhoso manual para a vida “A arte da felicidade”, publicado em 2000. Sua Santidade, o Dalai Lama e Howard C. Cutter. O próprio Dalai Lama nos diz nesse livro que acredita que o objetivo da nossa vida seja a busca pela felicidade. Acreditando em religião ou não, buscamos coisas boas para nós. Conhecendo a capacidade de luta de seus adversários e os tipos de armas que eles utilizam, terá mais condições de entrar na guerra. Este livro não só te prepara para questões do dia-a-dia, como também te ajuda a lidar com seus problemas.
O terceiro destaque é para “O vermelho e o Negro” escrito por Stendhal, publicado em 1831. Stendhal faz uma critica direta à sociedade francesa. A era é a pós-napoleônica. O autor escolheu para protagonista, um jovem ambicioso, inteligente, mas de classe social baixa. Julien Sorel é o herói do romance. O único caminho para um jovem talentoso e pobre era a igreja, a negra batina. Mesmo assim Julien continuou a ser um pobre no mundo dos ricos. A partir desses elementos o autor criou um dos mais significativos romances do século XIX.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Na noite escura
Na noite escura o céu fica calmo
com as estrelas flamejantes
Refletindo muito brilho
Na noite escura as pessoas
são abordadas na rua
Os larápios aproveitam o momento
Na noite escura a cidade fica triste,
só os postes com suas luzes
iluminam as ruas frias.
Na noite escura o grito do pavor
é ouvido, e o silêncio intrépido
torna-se frequente.
Na noite escura nem tudo tem valor
Ás vezes a loucura paira
O tempo passa lentamente
Nem todos gostam
da noite escura,
somente o terror
Orany Vieira
domingo, 1 de agosto de 2010
Indicação de leitura
Noite e Dia segundo romance de Virginia Woolf, foi publicado em 1919, quando ela estava com 37 a nos. Experimentalista por excelência, o livro atira o leitor dentro de uma sociedade, seus costumes, sua linguagem, num jogo de poder e contestação.Trata-se de uma trama de amor entre Katherine Hilbery e Ralph Denham advogado, intelectual e burguês. O enredo se desenrola num estilo ao mesmo tempo sólido e puro, e segue uma linhagem da tradição inglesa de grandes novelistas como Jane Austen, Charlotte Brontë e George Eliot.Os personagens são puro deleite, num romance belo e elegante em que Virginia Woolf experimenta o tradicional. E sem dúvida quem sai ganhando é o leitor. A magnífica tradução de Raul de Sá Barbosa, em Noite e Dia, garante à sua edição nacional a qualidade e prestígio a altura de toda obra da incomparável autora.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
O monge
O carteiro traz as cartas
Elas informam notícias
Notícias que vêm de longe
Vêm falando de um monge
Um monge escondido
Bem lá no fundo, retido
Tentando sair para falar
Deseja aprender e ensinar
O monge está na alma
Está sempre com calma
Expandindo o amor
Ele sempre se esforça
Vive numa palhoça
Que é o interior
Orany Vieira
Elas informam notícias
Notícias que vêm de longe
Vêm falando de um monge
Um monge escondido
Bem lá no fundo, retido
Tentando sair para falar
Deseja aprender e ensinar
O monge está na alma
Está sempre com calma
Expandindo o amor
Ele sempre se esforça
Vive numa palhoça
Que é o interior
Orany Vieira
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Sugestão de leitura:
O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, causou escândalo e controvérsia na sociedade inglesa do século XIX pelo convite que faz à reflexão sobre os valores morais de uma época marcada pela vaidade, pelo narcisismo excessivo e pela procura de novas e deleitosas sensações a qualquer preço.
O seu protagonista, Dorian Gray, portador de uma juventude e belezas invulgares, confronta-se com a efemeridade destas suas virtudes ao ver terminado o seu retrato e promete a sua alma, ainda ingênua e virtuosa, em troca da juventude eterna.
Os anos passam e Dorian mantem a sua bela aparência exterior, enquanto interiormente se degrada, tornando-se vil e devasso. Paradoxalmente, o seu retrato mágico, espelho da sua alma, envelhece e revela cruamente a leviandade interior de Dorian.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Buscando a felicidade
A felicidade mora ao lado.
Ninguém sabe, ninguém viu,
nem prestou atenção.
Presta-se atenção em desgraça.
No rapaz bonito da praça.
Mas e a felicidade?
Ninguém sabe ninguém viu.
Traçados para sermos felizes,
mudar a vida é só querer,
Basta olhar para o horizonte.
Tudo o que podemos é pensar,
criar, almejar, objetivar e crer.
Traçar metas e com elas aprender.
Orany Vieira
Ninguém sabe, ninguém viu,
nem prestou atenção.
Presta-se atenção em desgraça.
No rapaz bonito da praça.
Mas e a felicidade?
Ninguém sabe ninguém viu.
Traçados para sermos felizes,
mudar a vida é só querer,
Basta olhar para o horizonte.
Tudo o que podemos é pensar,
criar, almejar, objetivar e crer.
Traçar metas e com elas aprender.
Orany Vieira
domingo, 30 de maio de 2010
Meu diário
Um dia decidi escrever meu diário
Poderia relatar as minhas façanhas
Minhas alegrias e meus sonhos
Pensei em escrever amenidades
Escutei a minha voz interior
Sancionei a lei da alegria
Impetrei a lei do sonho
Soltei minhas emoções
Ouvi as minhas entranhas
E sem perceber já estava escrevendo.
Orany Vieira
sábado, 10 de abril de 2010
Porta de colégio
Passando pela porta de um colégio, me veio uma sensação nítida de que aquilo era a porta da própria vida. Banal, direis. Mas a sensação era tocante. Por isto, parei, como se precisasse ver melhor o que via e previa.
Primeiro há uma diferença de clima entre aquele bando de adolescentes espalhados pela calçada, sentados sobre carros, em torno de carrocinhas de doces e refrigerantes, e aqueles que transitam pela rua. Não é só o uniforme. Não é só a idade. É toda uma atmosfera, como se estivessem ainda dentro de uma redoma ou aquário, numa bolha, resguardados do mundo. Talvez não estejam. Vários já sofreram a pancada da separação dos pais. Aprenderam que a vida é também um exercício de separação. Um ou outro já transou droga, e com isto deve ter se sentido (equivocadamente) muito adulto. Mas há uma sensação de pureza angelical misturada com palpitação sexual, que se exibe nos gestos sedutores dos adolescentes. Ouvem-se gritos e risos cruzando a rua. Aqui e ali um casal de colegiais, abraçados, completamente dedicados ao beijo. Beijar em público: um dos ritos de quem assume o corpo e a idade. Treino para beijar o namorado na frente dos pais e da vida, como que diz: também tenho desejos, veja como sei deslizar carícias.
Onde estarão esses meninos e meninas dentro de dez ou vinte anos?
Aquele ali, moreno, de cabelos longos corridos, que parece gostar de esportes, vai se interessar pela informática ou economia; aquela de cabelos loiros e crespos vai ser dona de butique; aquela morena de cabelos lisos quer ser médica; a gorduchinha vai acabar casando com uma gerente de multinacional; aquela esguia, meio bailarina, achará um diplomata. Algumas estudarão Letras, se casarão, largarão tudo e passarão parte do dia levando filhos à praia e praça e pegando-os de novo à tardinha no colégio. Sim, aquela quer ser professora de ginástica. Mas nem todos têm certeza sobre o que serão. Na hora do vestibular resolvem. Têm tempo. É isso. Têm tempo. Estão na porta da vida e podem brincar.
Aquela menina morena magrinha, com aparelho nos dentes, ainda vai engordar e ouvir muito elogio às suas pernas. Aquela de rabo-de-cavalo, dentro de dez anos se apaixonará por um homem casado. Não saberá exatamente como tudo começou. De repente, percebeu que o estava esperando no lugar onde passava na praia. E o dia em que foi com ele ao motel pela primeira vez ficará vivo na memória.
É desagradável, mas aquele ali dará um desfalque na empresa em que será gerente. O outro irá fazer doutorado no exterior, se casará com estrangeira, descasará, deixará lá um filho – remorso constante. Às vezes lhe mandará passagens para passar o Natal com a família brasileira.
A turma já perdeu um colega num desastre de carro. É terrível, mas provavelmente um outro ficará pelas rodovias. Aquele que vai tocar rock vários anos até arranjar um emprego em repartição pública. O homossexualismo despontará mais tarde naquele outro, espantosamente, logo nele que é já um don juan. Tão desinibido aquele, acabará líder comunitário e talvez político. Daqui a dez anos os outros dirão: ele sempre teve jeito, não lembra aquela mania de reunião e diretório? Aquelas duas ali se escolherão madrinhas de seus filhos e morarão no mesmo bairro, uma casada com engenheiro da Petrobrás e outra com um físico nuclear. Um dia, uma dirá à outra no telefone: tenho uma coisa para lhe contar: arranjei um amante. Aconteceu. Assim, de repente. E o mais curioso é que continuo a gostar do meu marido.
Se fosse haver alguma ditadura no futuro, aquele ali seria guerrilheiro, mas esta hipótese deve ser descartada.
Quem estará naquele avião acidentado? Quem construirá uma linda mansão e um dia convidará a todos da turma para uma grande festa rememorativa? Ah, o primeiro aborto! Aquele ali descobrirá os textos de Clarice Lispector e isto será uma iluminação para toda a vida. Quantos aparecerão na primeira página do jornal? Qual será o tranqüilo comerciante e quem representará o país na ONU?
Estou olhando aquele bando de adolescentes com evidente ternura. Pudesse passava a mão nos seus cabelos e contava-lhes as últimas estórias da carochinha antes que o lobo feroz assaltasse na esquina. Pudesse lhes diria daqui: aproveitem enquanto estão no aquário e na redoma, enquanto estão na porta da vida e do colégio. O destino também passa por aí. E a gente pode às vezes modificá-lo.
Affonso Romano de Sant’Anna ( Para gostar de ler, volume 16. Editora Ática.)
Primeiro há uma diferença de clima entre aquele bando de adolescentes espalhados pela calçada, sentados sobre carros, em torno de carrocinhas de doces e refrigerantes, e aqueles que transitam pela rua. Não é só o uniforme. Não é só a idade. É toda uma atmosfera, como se estivessem ainda dentro de uma redoma ou aquário, numa bolha, resguardados do mundo. Talvez não estejam. Vários já sofreram a pancada da separação dos pais. Aprenderam que a vida é também um exercício de separação. Um ou outro já transou droga, e com isto deve ter se sentido (equivocadamente) muito adulto. Mas há uma sensação de pureza angelical misturada com palpitação sexual, que se exibe nos gestos sedutores dos adolescentes. Ouvem-se gritos e risos cruzando a rua. Aqui e ali um casal de colegiais, abraçados, completamente dedicados ao beijo. Beijar em público: um dos ritos de quem assume o corpo e a idade. Treino para beijar o namorado na frente dos pais e da vida, como que diz: também tenho desejos, veja como sei deslizar carícias.
Onde estarão esses meninos e meninas dentro de dez ou vinte anos?
Aquele ali, moreno, de cabelos longos corridos, que parece gostar de esportes, vai se interessar pela informática ou economia; aquela de cabelos loiros e crespos vai ser dona de butique; aquela morena de cabelos lisos quer ser médica; a gorduchinha vai acabar casando com uma gerente de multinacional; aquela esguia, meio bailarina, achará um diplomata. Algumas estudarão Letras, se casarão, largarão tudo e passarão parte do dia levando filhos à praia e praça e pegando-os de novo à tardinha no colégio. Sim, aquela quer ser professora de ginástica. Mas nem todos têm certeza sobre o que serão. Na hora do vestibular resolvem. Têm tempo. É isso. Têm tempo. Estão na porta da vida e podem brincar.
Aquela menina morena magrinha, com aparelho nos dentes, ainda vai engordar e ouvir muito elogio às suas pernas. Aquela de rabo-de-cavalo, dentro de dez anos se apaixonará por um homem casado. Não saberá exatamente como tudo começou. De repente, percebeu que o estava esperando no lugar onde passava na praia. E o dia em que foi com ele ao motel pela primeira vez ficará vivo na memória.
É desagradável, mas aquele ali dará um desfalque na empresa em que será gerente. O outro irá fazer doutorado no exterior, se casará com estrangeira, descasará, deixará lá um filho – remorso constante. Às vezes lhe mandará passagens para passar o Natal com a família brasileira.
A turma já perdeu um colega num desastre de carro. É terrível, mas provavelmente um outro ficará pelas rodovias. Aquele que vai tocar rock vários anos até arranjar um emprego em repartição pública. O homossexualismo despontará mais tarde naquele outro, espantosamente, logo nele que é já um don juan. Tão desinibido aquele, acabará líder comunitário e talvez político. Daqui a dez anos os outros dirão: ele sempre teve jeito, não lembra aquela mania de reunião e diretório? Aquelas duas ali se escolherão madrinhas de seus filhos e morarão no mesmo bairro, uma casada com engenheiro da Petrobrás e outra com um físico nuclear. Um dia, uma dirá à outra no telefone: tenho uma coisa para lhe contar: arranjei um amante. Aconteceu. Assim, de repente. E o mais curioso é que continuo a gostar do meu marido.
Se fosse haver alguma ditadura no futuro, aquele ali seria guerrilheiro, mas esta hipótese deve ser descartada.
Quem estará naquele avião acidentado? Quem construirá uma linda mansão e um dia convidará a todos da turma para uma grande festa rememorativa? Ah, o primeiro aborto! Aquele ali descobrirá os textos de Clarice Lispector e isto será uma iluminação para toda a vida. Quantos aparecerão na primeira página do jornal? Qual será o tranqüilo comerciante e quem representará o país na ONU?
Estou olhando aquele bando de adolescentes com evidente ternura. Pudesse passava a mão nos seus cabelos e contava-lhes as últimas estórias da carochinha antes que o lobo feroz assaltasse na esquina. Pudesse lhes diria daqui: aproveitem enquanto estão no aquário e na redoma, enquanto estão na porta da vida e do colégio. O destino também passa por aí. E a gente pode às vezes modificá-lo.
Affonso Romano de Sant’Anna ( Para gostar de ler, volume 16. Editora Ática.)
quinta-feira, 8 de abril de 2010
A morte incômoda
A morte de longe vem
para nos atormentar,
Ricos e pobres dela fogem
tentam não se aproximar.
Corremos para todos os lados
sempre tentando escapar,
Mas é o fim de nós todos
não temos como ficar.
Ela vem toda de preto
gritando quero te levar,
Alguns dizem: vai de reto
Outros dizem: vamos esperar.
Atordoados pensamos
queremos sempre lutar,
E hora marcada, temos?
nem precisam pensar.
Felizes os que acreditam
em outra vida desfrutar,
porque todos necessitam
de esperança para a vida gozar.
todos se vão rápido
e não quererem mais voltar,
é sinal de que no outro lado
é muito interessante estar.
Orany Vieira
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Tecer a vida
Teço a vida como quem tece uma colcha.
Procuro unir cada retalho, por mais que
os quadrados e os retângulos não se encaixem.
Tento manipular as cores tingindo alguns pedaços.
Dou o arremate que desejo, sigo minha intuição.
Vivo desnudando meus sentidos todos os dias.
Quando tenho um objetivo vou até o fim,
mesmo que demore, sei que vai se concretizar.
Tento passar minhas emoções através de poemas.
Às vezes fico sentada contemplando a natureza.
Transgredir, também, é expressar emoções.
Sensações vividas ao longo de uma vida.
Orany Vieira
Feira do livro em Nova Iguaçu
Na Baixada Fluminense, uma feira de livros movimenta o centro de Nova Iguaçu todos os anos. São mais de 50 mil exemplares à venda.
Existem livros para todos os gostos: best selers, infantis, religiosos, clássicos. E alguns custam menos de um real. A Praça Rui Barbosa fica bem no centro da cidade. Em frente a uma agência do Banco do Brasil. Ela foi escolhida por ser um ponto de grande movimento. O objetivo da feira é levar a cultura a todos os lugares.
A maior parte dos livros vendidos na última edição foram os didáticos. Por isso, alguns livreiros estão se dedicando exclusivamente a eles. Eu adquiri alguns romances: A Viagem e Noite e dia de Virginia Woolf. Acreditem, comprei os dois exemplares semi-novos por vinte reais.
“Lendo você aprende muita coisa. Livro é cultura.”
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